O cabrão do "mexicano" de que toda a gente fala, agarrou-se há uns dias ao meu puto e "deitou-o ao charco".
Soube que era mesmo o tal coiso porque o rapaz é asmático e teve direito que lhe fosse diagnosticado, através de análise, qual era afinal o bicharoco lhe provocava o mal-estar.
Digo isto porque, na escola dele, só foram confirmados 3 casos mas estiveram dezenas de miúdos em off-line.
Quebrando um pouco com linha deste blog, e porque apesar da falta de respeito que tenho por quem me lê, gosto imenso deles, vou aqui fazer um pouco de serviço público e contar a experiencia que tive com o tal "filho da puta" que ainda há um ano só chateava meia dúzia de porcos.
Segunda- feira, dia 26 de Outubro:
- olhos vermelhos e cansaço.
« Pai não me apetece estudar. Quero ir para a cama logo depois de jantar.»
«Hmmm!»
(A mãe tinha ido à tarde com ele ao Centro de Saúde da cidade capital do concelho onde moramos para vacinar o rapaz - tínhamos uma declaração do alergologista e do médico família - mas ele voltou para trás tal como tinha ido porque foi primeiro a inscrever-se para a vacinação ali no burgo. Tinham que haver pelo menos dez para vazar o frasco.)
Terça-feira, dia 27 de Outubro:
- dores no corpo (pernas e braços).
Durante a explicação de Português queixou-se de má disposição.
«Qual é a temperatura do corpo dele?»
«36.9...»
«Óh pá!»
Quarta-feira, dia 28 de Outubro(ao acordar):
- dores de cabeça, dores no corpo e 37.8 de temperatura.
«Vamos com o miúdo ao Hospital»
Moro a quinze minutos do H.D.F.F. e na triagem a temperatura passava os 38.5.
«Em que escola anda o rapaz?»
«Anda na EB 2,3....»
«Mais um»
Veio para casa aguardar resultado da análise.
Quinta-feira, dia 29 de Outubro:
- dores no corpo e picos periódicos de temperatura a rondar os 38.5 de febre, mas andou sempre por casa e em contacto muito próximo tanto comigo como com a mãe.
Eu via-lhe a temperatura do corpo como sempre fiz (errado), encostando os meus lábios nas costas dele.
Nunca perdeu o apetite.
Às 21.30 toca o telefone fixo na cozinha.
« Está? É de casa de menino J. Duarte?(português de leste)»
«É sim»
«Como está ele?»
«Com uma ligeira temperatura, mas não está mal.»
«Pronto, mantenham o controlo da temperatura e tenham atenção ao agravamento dos sintomas porque o teste ao H1N1 do J. deu positivo.»
«Não. Nós vamos já para aí. O miúdo é de um grupo de risco e quero que ele volte a ser visto, até porque agora à noite começou com tosse.»
«o.k.»
Às 22.00 o puto voltou a dar entrada no H.D.F.F onde voltou a ser observado, agora pela médica que nos tinha telefonado.
Tinha realmente muita expectoração e a febre rondava os 38.00 graus.
Veio para casa com o Oseltalmivir que é um liquido branco, amargo e "engarrafado" no Laboratório Militar.
Naquilo junta-se água (5 cl) e já está.
Depois o gajo passou a tomar a coisa de doze em doze horas, durante cinco dias.
Sexta-Feira, 30 de Outubro:
- tosse com expectoração, mas a temperatura já não passava os 38.00 graus.
Foi o primeiro dia em que andou de mascara e de luvas.
Até aí, como não sabíamos a origem da doença (erro) deixamos o tipo andar como andou nas dezenas de viroses em que apanhou em toda a sua vida.
Telefonou o Delegado de Saúde ao fim da tarde.
«É a mãe do J.Duarte?»
«Sim»
«Era para informar que o seu filho tem Gripe A. Como é que ele tem passado»
«Menos mal, obrigado»
Sábado, 31 de Outubro:
- tosse, mas em menor frequencia. Primeiro dia sem febre.
Domingo, 1 de Novembro:
- tosse.
Segunda, 2 de Novembro:
- tosse.
Terça, 3 de Novembro:
- tosse (pouca)
Telefonema do tal Centro de Saúde.
«Está sim? É de casa do J. Duarte?»
«É sim»
«Olhe, é do Centro de Saúde de ...., e era para informar que o menino tem de estar aqui amanhã pelas 09.00 horas para tomar a vacina.»
«Obrigada pela a atenção mas ele optou por ir à concorrência»
Quarta, 4 de Novembro:
- fim da quarentena e regresso às aulas.
Conclusão do blogger:
- se esta gripe é muito contagiosa, ela tem que o ser mais para uns do que para outros, pois tanto eu como a mãe do J., ao inicio, metemo-nos a jeito e, até hoje, que já é quinta-feira, nem um espirro.
- não nego que haja pessoas muito vulneráveis a este vírus - os números da OMS indicam muito mais mortalidade em pessoas jovens que o vírus da gripe sazonal -, mas uma coisa vos garanto, ao J., foi a gripe menos violenta que ele teve até hoje.
- apesar de não concordar com alguns (muitos) profissionais de saúde por irem contra as indicações do Ministério da Saúde e da DGS por tenderem a desvalorizar as recomendações dadas, pois acham que se trata de uma gripe como as outras, acho que se deve manter a calma e a serenidade.
Muito provavelmente não se irá passar quase nada se a vigilância se fizer.
- o mais difícil disto é lidar com os que sabem que tivemos um contacto muito próximo com alguém que está infectado.
Cheguei a ser olhado como se tivesse Peste Negra.
Mas sobre isso não digo mais nada.